
Alice e a Luneta Mágica
Um espaço onde tento expor muito mais do que meu eu, também minhas produções, pensamentos, ideias, medos, certezas, distrações e paixões. Um blog com temas comuns, porém vistos através de minha 'Luneta Mágica'(inspirada na obra de Joaquim Manuel Macedo 'A Luneta Mágica')... Reflexão e prazer, fiquem à vontade para discutir e saborear as palavras. Obrigada pela visita. ^^ Alice Paes.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Alice e a Luneta mágica

quarta-feira, 25 de maio de 2011
2011

Olá blog!
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
"Safadeza Oculta" - Eleições

Safadeza oculta era o lixão esparramado pela rua em véspera de votação.
Nunca entendi isso de poder jogar esse monte de papel poluindo ruas, calçadas e entupindo bueiros... Acha mesmo que alguém pega aquele papel imundo do chão pra votar? (tá, eu sei que existe esse absurdo) Mas, e onde fica toda conscientização trabalhada o ano todo na sociedade para com a preservação do meio ambiente e não poluição do mesmo?
Hahahahahahaha... Palhaçada como sempre!
Senti-me envergonha de ter esse papel de ELEITOR, vendo aquele monte de vergonha por todo lado em contraste com as propostas feitas por aquelas mesmas caretas que riam e, ao mesmo tempo, eram pisadas em meio o lixão.
Descontraindo:
Flerte em dia de votação... Hein?
Quer coisa mais tediosa do que essa de sair de sua casa de manhazinha, ver um monte de ‘safadeza oculta’ espalhada por toda rua. Refletindo em como tudo será após esse dia de decisões. “Que rumo nós teremos, Brasil?”
Longa fila. Cada um perdido, procurando sua Zona, lá vamos nós. Discutindo em meio a fila, se de fato, o melhor seria digitar aqueles números ou votar em branco. (sim, digitamos os números).
E naquele passo lento da fila, tosses, cuspidas no chão, risadas, conversas fiadas, tudo com fundo musical “urna” lentamente a soar... Lá vem aquele olhar manso com um leve sorriso (cafa) engatados a uma encarada. Sério? Alguém consegue mesmo fazer isso em dia de votação? Tem mesmo como pensar em “flertar” se na sua cabeça só se passa imagens de Serra, Dilma, até o Lula, enfim... Isso não é nada excitante. Simplesmente a gente finge que foi impressão (ignora aquele ser sem "desconfiometro"). E mantém a sequência de rostos e ideias que pairam na mente.
No outro local de votação, onde meu irmão teve de votar e eu o acompanhei, aconteceu mais uma “sem desconfiometro”, e pior é que ainda era mesário. Bah! Mas ficar dia todo lá deve mesmo ser entediante. Teve até uma senhora japonesa que escorregou tão graciosamente caindo no chão, que nem foi possível ouvir o barulho. Tão pequena, chão liso. Se alguém risse, juro que daria um tapa. (sim, bati no meu irmão).
A fila. Me senti indo pra cadeira elétrica. Ou no próprio júri: “condena”ou “não condena”.
Condenando ou não o Brasil?
Também tive aquela sensação de “dia de tomar vacina”, fosse na escola, fosse já adulta... Todo mundo fica meio tenso na tal da fila. E acredito que o tempo frio ajuda a dar um ‘ar’ misterioso, tenso e depressivo à situação. [risos]
Não fosse as tirinhas:
- “Qual sua zona?”
- “69, e a sua?”
- (O.o)
- “Essa que é a tal da zona? Nossa, nem é tão ruim assim...”
Bem, chega de “safadezas ocultas” né? Devia ter postado isso antes, mas algumas surpresas boas tomou-me o tempo. [risos]
Beijos e até o próximo post...[que já está em rascunho].
Alice Paes.
(Foto tirada por mim, no dia 03/10/2010)
sábado, 2 de outubro de 2010
Dormindo no Ponto

[Foto tirada hoje, voltando do serviço pra casa, no ponto de ônibus.]
“Não durma no ponto”
Não bastou apenas ouvir esse ditado por aí, eu tive de colocá-lo em prática...
Como?
Dormindo no ponto.
Depois de uma jornada de 10 horas de trabalho, lá estava eu, às 21h15min, aguardando o próximo ônibus para ir de encontro com meu colchão... Sozinha com meus pensamentos, cochilei sobre o meu braço... Acordei num sobressalto e de longe avistei os letreiros do meu ônibus que se aproximava “Ufa! Por pouco!”
Mas não é só no ponto que não se deve dormir, temos também o próprio acento do ônibus... E a janela de vidro que, pra quem está exausto, é um apoio sem igual. Se falo disso é por experiência própria. E essa foi a ‘melhor’, numa dessas voltas pra casa após o serviço, novamente cochilei, agora dentro do ônibus, recostada a janela. Passei do ponto... Fui descer mais adiante. Certeza que não sou a única nessas paradas da vida. [risos]
Na vida temos vários pontos, vários ônibus e vários cochilos também. Nessas histórias eu aprendi a não deixar passar do ponto, e a não dormir no ponto. Metaforicamente falando, vou tentar aplicar isso a outras coisas da vida. Aliás, já estou aplicando.
. Ponto final
Alice Paes.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Roda Viva
"Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração..."
(Trecho da composição de Chico Buarque - "Roda Viva".)
----------------------------------------------------
As coisas acontecem, e junto a elas vem o tempo que vai fazendo sua contagem... "tic-tac-tic-tac..."
Você não o nota e, no entanto, prossegue com sua rotina, com seus planos, com suas aspirações. "Tic-tac-tic-tac..." Vive momentos... Momentos bons, ruins, momentos vagos, tediosos...
Chega um instante que sua rotina começa mudar. Seja por uma promoção no trabalho, uma vaga na universidade ou, um novo amor. Várias coisas acontecem no desenrolar do "tic-tac", aqueles momentos do passado ficam no passado. Tornam-se vagas lembranças presas a uma página virada de sua vida, a partir desse novo momento que chegara, nada daquilo lhe faz falta, pra você o que vale é o presente. Passa a ver o que se foi como uma etapa que lhe acrescentou coisas boas e ruins também, mas que acima de tudo, lhe fez amadurecer.
Agora você está diferente, é mais esperto, mais ágil e mais concentrado no próximo passo. Talvez você não saiba explicar exatamente o por que de ter mudado, não foi uma atitude que você resolveu tomar, simplesmente aconteceu, você não é mais um jovem inconsequente, agora conhece coisas que não conhecia, agora já tem noção daquilo qual antes se perdia. És responsável pelos seus atos e as consequências dos mesmos.
Você não explica, mas ele explica: "tic- tac- tic-tac- tic-tac- tic-tac".
Ele te amadurece, amadurece seu corpo, muda as coisas na sua vida, muda bastante suas ideias, coloca novas pessoas em seu caminho... Muda o cenário de sua história, muda muitos personagens também. Num simples "tic-tac" faz você pensar mil e uma coisas e planejar outras mil.
Sinto dizer, [na verdade não sinto não, fico feliz] que o “tempo rodou nas voltas do meu coração”, o passado não habita mais aqui... Não somente por haver um outro ocupante de meus pensamentos, e sim, por que foi um passado que não fora tão marcante, apenas borrifou alguma página de minha história, mas essa página já ficou tão para trás, que ao tentar voltar a ela vejo apenas pequenas letrinhas um tanto quanto fracas diante do presente.
Eu não sou mais a menina ingênua que fui, eu agora sou mulher.
Só posso ignorar a tentativa do passado em querer repetir uma rasteira em mim... Pois agora eu uso salto, posso esmagar o seu pé.
Alice Paes.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Um pedido
.png)
"Observando as estrelas na noite, vaga noite que embalou meus pensamentos. Um tanto pensar, em seguir, em parar... Pensar no que possa existir além do brilho das estrelas, do manto negro da noite... Lá se foi uma estrela que se movia rapidamente... Logo pensei: "Se for estrela cadente, que pedido farei?"
Pra que pensar se a resposta estava na ponta da mente?
"Meu pedido é que eu possa conhecer aquela pessoa que mudou algo em mim".
É... É isso. Essa pessoa desconhecida, que revira minhas ideias, me desconectou de minha tão firme base e que sem pedir licença, invade vez ou outra um pensamento meu.
Esse alguém que completa minhas ideias, termina minhas frases e, tantas vezes, também se opõe a elas.
Não sei se mais gordo ou mais magro que eu;
Se tem 1,30 de altura , se franze a testa com frequência, se canta alto e desafinado no banheiro;
Se usa prótese dentária; se gagueja; se tem alto grau de cegueira...
Que importância faria?
E também não sei se riria de meu bobo humor, de minha estabanadice, de meus passos tropeçados...
Conhecer ele que, me dá borboletas e pontadas no estômago, e também aquela estranhíssima sensação no peito. Conhece? rsrs
Essa pessoa que por vezes já dei-lhe espetadas por simples medo. Por que esse medo? Esse medo de perder uma chance, de sequer ter uma... As estrelas cadentes são fiéis, não?
Óh! Quão tolo és, coração. Foste se apaixonar tão longe, um longe que não se aproxima com estradas... Um longe que só sentimentos aproximam."
Alice Paes.
domingo, 26 de setembro de 2010
Namorix X Ser de alguém

Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo para reclamar de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.
Beijar na boca é bom? Claro que é! Manter-se sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, de que "toda ação tem uma reação"? Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.
Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram. Ficar também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de cultivar a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu - afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança?
A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como só deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga apenas o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer boa noite, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar.
Já dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi transmitida nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo) vendem (na maioria das vezes) a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição. No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal junto até morrer". Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as lições que nos chegam. A questão não é causal, mas quem sabe correlacional.
Podemos aprender amar se relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optar. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins.
Ser de todo mundo, não ser de ninguém é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.
Texto de: Mônica Montone [não, não é do Arnaldo Jabor pessoal].
______________________________________________
Eu não saberia expressar tão bem o que gostaria de dizer nessa linha de pensamento. O texto da poeta Mônica Montone me salvou [risos]
Espero que desperte muitos "tribalistas"... Eu conheço vários.